Principais Pontos

Recomendações e Reviews


Embora o Janeiro Branco tenha passado, a conscientização sobre a saúde mental é uma missão que devemos abraçar todos os dias do ano. Fevereiro é um ótimo momento para continuarmos essa conversa de extrema importância de cuidar de nossa saúde emocional.

Nós da equipe Sistemando, incentivamos que a arte e a cultura são ferramentas poderosas para promover a compreensão e o diálogo sobre a saúde mental. Por isso, preparamos uma seleção especial de séries que abordam esse tema de maneira envolvente e inspiradora.

Neste post, você encontrará recomendações e comentários sobre produções que exploram a saúde mental de forma sensível e impactante, sem se limitar ao Transtorno Dissociativo de Identidade.

This is Us (2016)

Escrito por Sistema Pandora
A série This Is Us apresenta alguns retratos interessantes a serem analisados. Aqui, faremos aqui uma análise pessoal e psicológica da obra, trazendo nossas impressões pessoais sem revelar spoilers.

O que inicialmente parece uma narrativa lenta e parada aos poucos revela um forte significado ao explorar a profundidade das relações humanas e a complexidade dos sentimentos e emoções. A série aborda temas como problemas de identidade, conflitos familiares, traumas e questões de saúde mental.

A partir daqui devemos deixar um aviso de possíveis gatilhos com este tema, pois a obra não poupa profundidade emocional ao relatar temas como o alcoolismo, transtornos alimentares, ansiedade, depressão e luto. Ainda assim, encorajamos quem puder a dar uma chance à série, pois ela oferece reflexões valiosas.

Os protagonistas, três irmãos, embora compartilhem a mesma família, enfrentam desafios e histórias únicas que moldam suas identidades. Kevin lida com inseguranças sobre seu valor além da fama, muitas vezes perdido e buscando anestesiar sua dor emocional. Kate enfrenta baixa autoestima devido à obesidade e compulsão alimentar, enquanto trabalha em sua aceitação corporal. Randall, por sua vez, carrega ainda mais complexidade: sua vida, que parece perfeita no início, revela questões como identidade racial, adoção e sentimento de pertencimento. Ele enfrenta crises de ansiedade, e a série não falha ao oferecer um retrato sensível e realista dos desafios de lidar com saúde mental.

Outro ponto forte da obra é a maneira como os episódios transitam entre passado e presente, mostrando como as experiências dos pais influenciam as escolhas e comportamento dos filhos. Os traumas vividos pelos protagonistas tornam-se mais compreensíveis quando vistos à luz desse panorama.Em síntese, apesar das dificuldades individuais, os personagens se empenham em enfrentar suas adversidades e conflitos pessoais. A série nos leva a refletir sobre como nossos laços afetivos, experiências, desafios e contextos moldam nosso desenvolvimento humano. E embora alguns temas sejam tratados de forma simplificada e, em certos momentos, romantizada e idealizada, This Is Us continua sendo uma obra emocionante e que nos faz refletir sobre o impacto das relações humanas e das escolhas em nossas vidas.

The Bear (2018)

Escrito por Sistema Dice
Na série The Bear  acompanhamos o restaurante The Beef e sua (caótica) equipe de funcionários, mas, focando especificamente em um de seus protagonistas e “chef principal” vamos destrinchar o personagem Carmen Berzatto ou “Carmy” como é carinhosamente chamado (protagonizado pelo brilhante ator jeremy Allen) e entender de onde vem a carga emocional do personagem e suas vivências.

Em alusão ao Janeiro Branco, mês da conscientização sobre saúde mental iremos dissertar e explicar um pouco da vivência do personagem Carmy e a sua importante representação do Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) além é claro do recente luto vivido pelos personagens no início da série. 

Durante ainda nos primeiros episódios podemos observar no personagem diversos momentos característicos de uma vivência dentro do TEPT que por si é descrito pelo CID-11 como sendo: Um transtorno que pode se desenvolver após a exposição a um evento ou a uma série de eventos de natureza extremamente ameaçadora e apavorante.

Em geral, eventos prolongados e repetitivos dos quais evadir-se é difícil ou impossível.

No caso do nosso protagonista, a situação estressora e apavorante veio diretamente do seu antigo (e renomado) trabalho, no qual ele era exposto frequentemente a situações de estresse intenso e humilhações do seu superior.

Durante a série foi possível observar recorrentes situações em que nosso protagonista era humilhado e rebaixado. Sem contar nas constantes situações de estresse e exigência de perfeição que o mesmo era colocado. Também era perceptível que o protagonista, dentro do seu emprego anterior, carregava não só a responsabilidade do seu próprio trabalho que deveria ser perfeito, como também de toda a sua equipe.

Mas, como aqui estamos tratando de um transtorno de estresse pós-traumático, em que pontos durante o “tempo presente” da série esse transtorno se apresentava?

Trazendo as observações mais óbvias e mais fáceis de serem captadas por nossos leitores, os momentos em que mais se observa as consequências do TEPT na vida do protagonista vem nas situações onde o personagem se encontra novamente sobre pressão na cozinha (mesmo que essa pressão não se compare a que ele passou no antigo trabalho) onde o personagem se via novamente a frente de seus demônios. 

No TEPT situações próximas aos eventos traumáticos são interpretadas pelo cérebro da pessoa que sofreu como “situações de gatilho”, pois de forma involuntária é relembrado os eventos traumáticos na vida do indivíduo, trazendo assim um ciclo constante de sofrimento e dor para o mesmo.

Outras situações que podem ser observadas durante a série são os constantes pesadelos que o protagonista sofre e os episódios de sonambulismo onde o mesmo se pega “tentando cozinhar” enquanto dorme.

Outra situação que pode ser interpretada como parte do TEPT, são os frequentes sonhos do protagonista com o urso (que leva o nome da série) que pode ser visto como um “monstro” ou “uma grande fera” que nada mais é do que o medo do incontrolável e perigoso aos olhos do nosso protagonista sobre algo que o atormenta e o persegue, refletindo na sua vida pessoal, seu trabalho e tudo que o protagonista ama.

Assim como no TEPT, o Urso é o reflexo do que o protagonista acredita ser incontrolável e assustador.

Assim como o Janeiro Branco traz a conscientização sobre saúde mental, nós trazemos a conscientização a respeito do sofrimento psíquico e emocional. Não é fechando os olhos para seu sofrimento e tentando evitá-lo que você o vencerá, é o encarando de frente e com auxílio que você o domina e o vence.

Rainha Charlotte (2023)

Escrito por Sistema Orquestra
A série Rainha Charlotte: Uma História Bridgerton é um spin-off do universo Bridgerton, da Netflix, e explora a trajetória da Rainha Charlotte, seu casamento com o Rei George III e os desafios que enfrentaram juntos. Um dos principais temas abordados na série é a saúde mental, por meio da condição do rei, que sofre de uma doença mental crônica não especificada, e os impactos disso em Charlotte e em seu reinado. Na série, o brilhante rei sofre com alucinações e crises psicóticas durante toda a sua vida.

Especulam que ele pode ter tido um transtorno psiquiátrico como transtorno bipolar ou esquizofrenia.
A produção mostra como ele lida com essas dificuldades e os tratamentos violentos da época, que, em vez de ajudar, acabam agravando a situação.

Outro ponto alto da série é como a condição do rei afeta a Charlotte.
No início, ela é jovem e recém-casada precisa se deparar com um homem que não conhece e um transtorno que não entende. Charlotte logo entende que precisa amadurecer e assumir grandes responsabilidades. O amor entre eles é evidente, mas também fica claro o peso emocional e psicológico que Charlotte carrega ao tentar apoiar o marido e manter a estabilidade do reino.

A história mostra que as doenças mentais não afetam apenas quem recebe o diagnóstico, mas também toda a rede de apoio ao seu redor. Muitas vezes, familiares e pessoas queridas acabam sobrecarregados, sentindo-se impotentes diante da situação.

Embora ambientada no século XVIII, a trama levanta questões extremamente atuais, como o estigma em torno dos transtornos mentais, que ainda hoje são vistos como um tabu por muitas pessoas. A série também destaca a importância dos cuidadores, mostrando que eles também precisam de suporte e acolhimento.

Rainha Charlotte aborda de forma impactante os danos causados por tratamentos inadequados para transtornos mentais. O sofrimento do rei e a força da rainha reforçam a importância de falar sobre o tema com empatia e de buscar apoio quando necessário.

Se você ou alguém próximo está passando por dificuldades emocionais, não hesite em procurar ajuda profissional. Cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo!

Garota, Interrompida (1999)

Escrito por Sistema Cogs
“Garota Interrompida”  é um filme que toca fundo ao abordar as dores invisíveis que tantas pessoas carregam. Baseado nas memórias de Susanna Kaysen, a trama nos leva aos anos de 1960, quando o estigma sobre saúde mental era ainda mais pesado. 

Após uma tentativa de suicídio, Susanna (Winona Ryder) é internada em um hospital psiquiátrico, onde conhece outras mulheres com diagnósticos variados, como Lisa (Angelina Jolie), cuja rebeldia desafia o sistema,  Polly e Daisy, que personificam diferentes expressões de sofrimento psíquico.

O hospital, apesar de oferecer tratamento, também reflete os preconceitos e limitações da época, funcionando mais como confinamento do que um espaço de verdadeira cura. No entanto, é ali que Susanna começa a questionar o que significa ser “normal” em um mundo que descarta quem não se encaixa. A interação com as outras pacientes revela que a “loucura” delas, na verdade, é uma reação a uma sociedade cheia de julgamentos.

Esse filme continua atual porque nos obriga a refletir sobre como tratamos a saúde mental. No Brasil, campanhas como o Janeiro Branco mostram que, mesmo hoje, o preconceito e a desinformação ainda afastam as pessoas do cuidado necessário. “Garota, Interrompida” nos lembra que a busca por saúde mental é um ato de coragem e que o acolhimento, tanto do outro quanto de nós mesmos, é essencial. Mais que um filme, é um chamado à empatia e à reflexão sobre o que realmente significa ser humano.

Tudo Pede Salvação (2023)

Escrito por Sistema Cogs
Você já sentiu que a vida pesa mais para você do que para os outros? Essa sensação é o ponto de partida de Tudo Pede Salvação, uma série que nos convida a refletir sobre o que significa ser humano diante da fragilidade mental e emocional.

Daniele, o protagonista, acorda em um hospital psiquiátrico após um surto psicótico. Sem lembrar o que aconteceu, ele se depara com uma realidade dura: foi internado à força depois de agredir os próprios pais. A partir desse momento, acompanhamos sua convivência com outros pacientes, cada um trazendo suas próprias dores, histórias e complexidades.

O que torna essa narrativa tão potente é a forma como revela, com sensibilidade, que somos muito mais do que nossos diagnósticos. Daniele não é apenas um jovem com depressão severa. Assim como Mário, Gianluca, Alessandro e os demais, ele carrega memórias, traumas e uma busca incessante por sentido. E, ironicamente, é nesse espaço de confinamento que ele encontra o respiro que precisava: a conexão genuína.

Há cenas que marcam. Como quando Mário, afundado em sua dor, lembra que a ciência nasceu de mentes rotuladas como “loucas”. Ou quando Gianluca, rejeitado pela própria família, só deseja ser aceito como é. São momentos que escancaram a distância entre quem cuida e quem precisa de cuidado — e como a empatia pode transformar vidas.

Tudo Pede Salvação não romantiza a loucura, mas também não a reduz, tampouco a vilaniza. A série mostra que acolher nossas fragilidades — e as dos outros — talvez seja o primeiro passo para a cura, seja ela qual for. Afinal, como diz Daniele, a vida é uma constante tentativa de renascer e aceitar as coisas como elas são. Se você busca uma história que emociona e faz refletir, essa série é para você. Mais do que isso, é um convite: a olhar com mais gentileza para a saúde mental, a nossa e a de quem nos cerca.

CONCLUSÃO

Cada vez mais, filmes, séries e livros têm abordado a saúde mental de forma sensível e realista. Essas histórias ajudam a quebrar tabus, ampliar a conscientização e reforçar a importância de buscar ajuda.

Falar sobre saúde mental nunca foi tão necessário. Consuma conteúdos que contribuam para uma compreensão mais profunda do tema e compartilhe essas recomendações com quem precisa. E, se você estiver passando por dificuldades, não hesite em procurar apoio — você não está sozinho!

Observação
Essa seção do site poderá ser atualizada, adicionando mais conteúdos e recomendações de mídias.

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