Dissociação em mulheres: o que diz ciência?

Principais Pontos

Dia Internacional da Mulher – 8 de março

O QUE A CIÊNCIA DIZ SOBRE TDI, TRAUMA E DISSOCIAÇÃO NA POPULAÇÃO FEMININA?

Ao falar em saúde mental feminina, temas como ansiedade e depressão costumam aparecer com frequência. No entanto, vemos pouca discussão sobre a dissociação, especialmente em relação ao Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI).

Diversos estudos mostram que mulheres são diagnosticadas com TDI com maior frequência do que homens. Em contextos clínicos, amostras frequentemente apresentam predominância feminina, refletindo tanto fatores epidemiológicos quanto sociais e culturais. Uma explicação frequentemente discutida na literatura é que mulheres estão mais expostas a certos tipos de trauma interpessoal na infância, especialmente abuso sexual e violência doméstica, fatores fortemente associados ao desenvolvimento de transtornos dissociativos.

Dissociação em mulheres: prevalência e estatísticas

Diversas pesquisas indicam que mulheres aparecem mais frequentemente nos diagnósticos clínicos de transtornos dissociativos.
Alguns estudos apontam que entre 75% e 90% dos casos diagnosticados de TDI ocorrem em mulheres. Esses dados aparecem em análises acadêmicas e revisões de literatura sobre transtornos dissociativos.
No entanto, especialistas destacam que essa diferença pode refletir não apenas fatores biológicos, mas também questões como:
● acesso a serviços de saúde mental;
● maior busca por terapia entre mulheres;
● padrões culturais de expressão emocional

Curiosamente, alguns estudos populacionais sugerem que os níveis de dissociação podem ser semelhantes entre gêneros. Um estudo com mais de 2.000 participantes, utilizando a Escala de Experiências Dissociativas (DES), encontrou níveis de dissociação comparáveis entre homens e mulheres.

Isso indica que a diferença de diagnósticos pode estar relacionada a fatores clínicos ou sociais, e não necessariamente a uma prevalência real maior.
A dissociação está fortemente associada a experiências traumáticas, especialmente durante a infância.
Do ponto de vista científico, o TDI é hoje compreendido como um transtorno traumático complexo, frequentemente associado a histórias de abuso crônico na infância e a padrões de dissociação persistente. Isso significa que, para muitas pessoas, especialmente mulheres, a multiplicidade interna é uma forma extrema de sobrevivência psicológica.
Em contextos de trauma prolongado, a dissociação pode funcionar como uma estratégia psicológica de adaptação, permitindo que a mente se distancie de experiências extremamente dolorosas demais para a mente suportar.
Um estudo populacional com mulheres da comunidade encontrou resultados importantes:
● 18,3% apresentaram algum transtorno dissociativo
● cerca de 1,1% apresentaram TDI

A luta feminina e a Saúde Mental

Assim, ao refletirmos sobre o Dia Internacional das Mulheres, vale lembrar que a luta feminina também inclui o reconhecimento de histórias de trauma e resiliência. Em alguns casos, essa resiliência assume formas inesperadas: identidades que surgem para proteger, fragmentos da mente que carregam dores específicas, ou partes que continuam lutando pela sobrevivência quando a realidade parece insuportável.

Discutir dissociação no Dia Internacional da Mulher não significa reduzir a experiência feminina ao sofrimento. Pelo contrário: significa reconhecer a complexidade da saúde mental e do peso da vivência dessas mulheres.

Durante muito tempo, os transtornos dissociativos foram ignorados ou tratados com descrédito em parte da psiquiatria e da psicologia. Hoje, um número crescente de estudos demonstra que a dissociação é um fenômeno psicológico real, complexo e frequentemente associado a um histórico de trauma.

O Sistemando tem por missão levar a público informações validadas sobre os temas de TDI, trauma e dissociação, mas também combater toda prática irregular e/ou violenta em Saúde Mental e em Saúde da Mulher.

Busque ajuda!

Se você, mulher ou não, lendo este artigo, precisa de ajuda, confira nossos Canais de Ajuda, em casos de violência física, sexual ou psicológica: denuncie! E caso esteja em sofrimento mental, busque a psicoterapia. Estamos aqui por você. Conte conosco!

PESQUISA E TEXTO: Sistem Khaos, Sistema Orquestra
VALIDAÇÃO: Sistema Dice
EDIÇÃO FINAL E PUBLICAÇÃO: Sistema Cogs

Referências

Gender Differences in Dissociation: A Dimensional Approach. Disponível em <https://karger.com/psp/article/36/2/65/284314/Gender-Differences-in-DissociationA-Dimensional>
Prevalence of dissociative disorders among women in the general population. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0165178106000084>
Saúde mental da mulher: desafios no diagnóstico e intervenção precoce: uma revisão sistemática
Disponível em <https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/61494/44333>
Transtorno Dissociativo de Identidade e Esquizofrenia: uma investigação diagnóstica. Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/22760/3/2016_MarcellodeAbreuFaria.pdf